
Olhos atentos ao que era dito,aos rituais de sempre.A igreja escura era grandes espaços vãos que só se preenchiam aos domingo.A atmosfera gótica era um cenário fúnebre,nada ali cheirava novo,nada era novo:nem as paredes,nem os ícones sagrados,nem as pessoas e até mesmo as velas, que remontavam um passado sempre monótono,tão santo e pontual.Algumas vozes,roucas e mansas,faziam um coro perfeitamente devoto.Uma senhora de preto ,mais a frente, puxava as palavras que eram repetidas por sete ou oito almas até quando o pecado mandasse parar.Em um local mais visível, o sacerdote santo de Deus perguntava e era respondido,sua posição de pastor das ovelhas divinas lhe dava um ar de importância sustentado por sua imponente indumentária o ambiente.Um grupo de idosos adentrou pela porta lateral acompanhado de dois jovens com boas intenções e apoiando pelos braços aqueles que mal podiam andar.Se espalharam pelos bancos frios e numerosos afim de ganhar um pouco mais de intimidade dentro da casa santa.No penúltimo banco sentou um senhor,talvez o mais velho de todos dentro da igreja.Não mexia,não rezava e seus lábios cerrados juntamente com suas mãos sobre os joelhos demonstravam calma e apreciação da quietude momentânea,tão fora da sua rotina.Tudo era muito calmo ali dentro.As vozes sumiam mas as pessoas continuavam lá,como se tivesse que pagar uma penitência,pagar pelo que fizeram ou pelo que pensaram.E no meio daquele sincronismo de devoção e joelhos .Os vitrais brilhavam com os raios poentes das cinco,tornando ainda mais byroniano o ambiente.Em meio à devoção insana,e joelhos doloridos de tanto fervor à ritualistica,um barulho faz romper o silêncio sepulcral do templo.Já não havia mãos sobre os joelhos,mas os lábios cerraram-se para sempre.A quietude do ancião do penúltimo banco não era respeito,solidão,sequer contemplação mencionada anteriormente.Era isolamento de quem sabia que um instante sozinho bastava para atravessar da vida para seu oposto desconhecido e se juntar,como ele mesmo acreditava,àquele a quem todos ali mendigavam misericórdia.