sábado, 11 de outubro de 2008

re[pouso]


trago-te
como uma libélula
na ponta do dedo

uma libélula
que não faz pesar
as imensas
múltiplas
cores
das asas
com que a leveza
a faz voar

na ponta do meu dedo
trago-te
o que em mim
de ti
leve
trago


domingo, 28 de setembro de 2008

.

Faces
















Inexpressão nos rostos...
Vozes uníssonas...
Gestos monótonos...
Pessoas insípidas...

sábado, 20 de setembro de 2008

O silêncio para o maior perdão


Olhos atentos ao que era dito,aos rituais de sempre.A igreja escura era grandes espaços vãos que só se preenchiam aos domingo.A atmosfera gótica era um cenário fúnebre,nada ali cheirava novo,nada era novo:nem as paredes,nem os ícones sagrados,nem as pessoas e até mesmo as velas, que remontavam um passado sempre monótono,tão santo e pontual.Algumas vozes,roucas e mansas,faziam um coro perfeitamente devoto.Uma senhora de preto ,mais a frente, puxava as palavras que eram repetidas por sete ou oito almas até quando o pecado mandasse parar.Em um local mais visível, o sacerdote santo de Deus perguntava e era respondido,sua posição de pastor das ovelhas divinas lhe dava um ar de importância sustentado por sua imponente indumentária o ambiente.Um grupo de idosos adentrou pela porta lateral acompanhado de dois jovens com boas intenções e apoiando pelos braços aqueles que mal podiam andar.Se espalharam pelos bancos frios e numerosos afim de ganhar um pouco mais de intimidade dentro da casa santa.No penúltimo banco sentou um senhor,talvez o mais velho de todos dentro da igreja.Não mexia,não rezava e seus lábios cerrados juntamente com suas mãos sobre os joelhos demonstravam calma e apreciação da quietude momentânea,tão fora da sua rotina.Tudo era muito calmo ali dentro.As vozes sumiam mas as pessoas continuavam lá,como se tivesse que pagar uma penitência,pagar pelo que fizeram ou pelo que pensaram.E no meio daquele sincronismo de devoção e joelhos .Os vitrais brilhavam com os raios poentes das cinco,tornando ainda mais byroniano o ambiente.Em meio à devoção insana,e joelhos doloridos de tanto fervor à ritualistica,um barulho faz romper o silêncio sepulcral do templo.Já não havia mãos sobre os joelhos,mas os lábios cerraram-se para sempre.A quietude do ancião do penúltimo banco não era respeito,solidão,sequer contemplação mencionada anteriormente.Era isolamento de quem sabia que um instante sozinho bastava para atravessar da vida para seu oposto desconhecido e se juntar,como ele mesmo acreditava,àquele a quem todos ali mendigavam misericórdia.

O engenheiro egoísta

Morar com amigos nem sempre é sinônimo de viver em comunidade,compartilhar mais que um teto e viver em harmonia digna de comunidade hippie.Principalmente para este engenheiro.Sujeito comunicativo e intelectualizado pela vida alternativa que o rodeia.É poliglota e quer que o mundo fale suas línguas,tem gostos dúbios e é preconceituoso.Espera não ter maisninguém no apartamento para ir para a cozinha.Até o ambiente sonoro é exclusividade do homenzinho ruidoso:não importa se seus amigos estão lendo,conversando ou vendo TV,o silêncio também pertence a ele.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O cientista

O cientista não deve falar.É o objeto que deve falar por meio dele.
Daí o estilo impessoal,vazio de emoções e valores:
Observa-se,
Constata-se,
Obtém-se,
Conclui-se.
Quem?Não faz diferença....

sábado, 13 de setembro de 2008

O tal pernosticismo


Não faço aqui uma Ode à vanglória,pois o pernosticismo permite várias interpretações.Não é petulância,nem pretenção.Não.Não criei este blog para fins orgulhosos,tampouco para alimentar a minha vaidade.Meus interesses são completamente domesticáveis e nada arrogantes.Mas não fujo muito a tudo isso.O título, que jamais será tema de outra postagem, é só para justificar o quanto eu já usei toda essa presunção citada acima.O quanto já abusei dos meus pensamentos que não passam de levianos.O quanto eu achei que poderia ser e não fui e ainda não sou.O quanto eu me importei com minha importância sem olhar para os lados para perceber que a vida não se resumia apenas a mim.

Ser pernóstico é ser fingidor.É assumir a condição de erudito sem ser propriamente um.É forjar saber o que realmente não se sabe.

Eu me enquadrei por algum tempo nesse perfil,porém agora eu optei por pensar e agir,pelo racionalismo que vale a pena justamente porque você não se torna nada por meio dele,apenas reafirma o que você é,
e quais suas pretensões.Bem vindos a esse pequeno mundo de anseios reais.



domingo, 7 de setembro de 2008

somente a teoria

Proclamo a independência que conquistei quando coloquei meus olhos sobre o PC e de uma vez por todas parei de apenas pensar em criar um blog.Eu agora posso escrever meus delírios sem me preocupar com demais censuras (minha autocensura já é algo impressionante).Mas hoje é dia da Independência do Brasil de fato.Nunca tive boas experiêcias com o patriotismo ou até mesmo com o nacionalismo,porém,hoje não é um dia qualquer.Fui assaltado pela primeira vez na vida após o desfile no centro de BH.Eu não sabia em que dia eu vivia.Um estudante anacrônico!Levaram meu celular (uma antiguidade 1G) ,isso não me causou revolta.

Ah,depois eu darei certas explicações quanto a nomeação do blog e seu caráter pedante que pode gerar má interpretação.